quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

TERRA PARA PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEL

Ainda segundo os cálculos aritméticos do professor Cerqueira Leite, “para substituir todo o combustível fóssil consumido hoje por etanol, incluídas tecnologias que aproveitassem integralmente todo o resíduo linho-celulósico da produção de álcool, cereal e madeira, seriam necessários 400 milhões de hectares”, tal a facilidade na produção da energia de aquecimento. Essa é a razão do sucesso do etanol brasileiro que não é devidamente compreendida pelos representantes dos países industrializados. A cana é um planta energética por excelência. A produtividade anual média no Estado de São Paulo é de 85 toneladas de cana por hectare, enquanto que a produtividade do milho é de 10 toneladas e a da soja é de 4 toneladas por hectare. Tudo na cana é transformável em combustível, enquanto a soja, que é uma oleaginosa, pequena quantidade de energia pode fornecer. É por essa razão que não vale a pena extrair combustível de grãos de soja (ou de grãos de milho)
“Um bom substituto para o petróleo deve ser encontrado naquilo que constitui a sua origem que são as florestas e plantas energéticas”.
Argumentos surrados, utilizados pelo governo brasileiro, de que o etanol não concorre com a produção de alimentos não são bem compreendidos pelos representantes dos países industrializados. Não precisa explicar, por exemplo, que a área de cana é inferior a 2% da a área de pastagem e inferior a 10% daquela destinada à produção de alimento. A explicação é óbvia, para qualquer físico, medianamente informado.


O PESO DO TRANSPORTE

Outro fator, relacionado com o anterior, que não tem sido levado em consideração é o peso excessivo do transporte de mercadorias baratas, como grãos, incidentes na composição do custo do principal alimento requerido pelos países emergentes: a carne bovina.

O rebanho brasileiro, 210 milhões de cabeças é maior do que a população, ocupando 200 milhões de hectares. Se os outros países utilizassem o mesmo processo extensivo (um hectare por habitante) estariam utilizando sete bilhões de hectares e certamente 14 bilhões quando a população dobrasse. Como resolvem? Alguns que têm áreas de cria, Importam grãos e confinam bois. Mesmo assim a área de pastagem continua grande, concorrendo com a produção de alimentos energéticos. Daí a grande importância dos grãos na alimentação de animais e da carne para alimentação humana.

A carne se tornou o alimento mais requerido no mundo todo, especialmente agora, em razão do maior crescimento dos países em desenvolvimento. Entretanto, é o que mais requer energia e o que mais agride o meio ambiente ao ser produzido. Os demais alimentos fazem parte de um “mix” (arroz, milho, mandioca, trigo, soja, etc.) que são específicos de cada região e os países em desenvolvimento, maiores produtores e consumidores (China, Brasil e Índia), já os produz localmente, cada um especialista nos produtos que consome. Asiáticos são especialistas na produção de arroz; países europeus e americanos produzem trigo em grandes quantidades; mexicanos e brasileiros produzem milho e mandioca, etc. Depois da revolução verde, as questões alimentares crônicos que afligiam países populosos como China e Índia foram resolvidas, no que respeita a produção de alimentos energéticos.
Como conclusão deste capítulo: a mudança de hábitos e valores mais saudáveis de comer carnes brancas (de que fala o especialista Paul Robert a seguir), não é apenas de caráter de saúde, recomendada pelos médicos, mas tambem de natureza econômica. De fato, o consumo anual de 100 quilos por habitante nos Estados Unidos chega a ser um exagero, que só produz obesidade. Hábitos e valores dependem da cultura.



HUGO SIQUEIRA


AQUECIMENTO E MOVIMENTO

O valor da energia depende fundamentalmente das diferentes formas como produção e consumo se processam: a produção e consumo de energia podem ser classificados em duas grandes categorias: energia de aquecimento, cuja produção depende da queima de combustível; energia de movimento mecânico, cuja produção depende tanto da queima de combustíveis (termoelétricas com rendimento de 30%), quanto de potenciais hidráulicos (hidroelétricas com rendimento de 90%). Ambos, produção e consumo são regidos pelo segundo princípio da termodinâmica, que em termos simples quer dizer:
“É sempre mais fácil produzir energia de aquecimento (residências) através a queima de combustível, diretamente, do que produzir energia mecânica (máquinas)”. Em outras palavras: energia potencial hidráulica se transforma em energia elétrica de forma direta e eficiente, enquanto a energia de aquecimento só é eficiente para produzir calor. A primeira é nobre e a segunda vulgar.

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